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26.1.07

22.1.07



Onde há fumaça

Medo. Com o passar do tempo não ficamos somente mais velhos, a gente vai ficando mais medroso, ou pior, mais desconfiado (talvez faça parte do instinto de sobrevivência). Mas não é o instinto medo que eu digo. É aquele medo de se borrar quando se ouve um barulhinho na sala.
Ou, fato verídico, de repente no ônibus em que viajava (pegar ônibus urbano ao trabalho é como uma viagem, em relação ao tempo, não necessariamente à qualidade) entra uma fumaceira. Ouve-se choro e ranger de dentes! Olho para trás (eu estava sentada antes da catraca) e vejo a visão de uma mini-ante-sala-do-inferno: duas dúzias de gentes desesperadas tentando sair por uma porta estreita em meio àquela fumaça toda. Deve ser mais ou menos assim para entrar no céu, ou sair do inferno. Bem, não sei se dá pra sair do inferno.
Como privilegio a razão (normalmente, mas nem sempre), para não me deixar levar pelo sentimento da hora a atrapalhar a estratégia e pelo fato de que, isso é muito importante, estabanar-se não deixa nenhuma mulher elegante, ao contrário, fica algo entre desengonçado e hilário, não saí desesperada. Sem mais delongas para o final do ocorrido: não era nada. Ou era, uma coisinha no motor do ônibus. O máximo de prejuízo que tivemos foi esperar meia hora por outro ônibus e sairmos todos fedidos dali.
Ocorre que o fato aconteceu um dia depois dos ataques do PCC em SP. Talvez não tenha nenhuma relação uma ação terrorista (eu digo sim, terrorista!) com um fato corriqueiro. A diferença estava no medo das pessoas. Que era aquele pânico todo no ônibus da fumaça? Quando o medo atinge desse jeito a sociedade é porque estamos virando ovelhas ordeiras e perto da selvageria. É a minha tese de poucas linhas. Esse medo negativo nos retrai e infantiliza, e o medroso se rende rapidinho logo na primeira fumaça e não resiste em alienar sua liberdade a controles de quem propõe alguma segurança.
Esses dias à mesa saboreávamos um relato de uma Vó que contava dos tempos em que as famílias saiam de caravana das suas terras para coloniza outras, abrindo piquetes no meio da mata. A família dela saiu do Rio Grande do Sul em busca de novas e ricas terras no Paraná (resumindo o causo), uma loucura de seu pai, segundo contou. Eu pessoalmente aprecio muito escutar as histórias dos mais velhos, é história que por vezes não se encontrará em nenhum livro.
Excetuando o contexto do tempo, admiro a coragem dos homens (homem mesmo, excluindo mulher) daquela época, que em meio à dureza da falta de conforto e às vezes do próprio jeito, saiam à frente na defesa e luta por suas famílias. Para não dizer que não falei de mulheres, hehe, parece-me eram muito corajosas (creio que essa coragem persiste), mas eram mais companheiras de seus homens.
Enfim, eram duas coisas que queria dizer: falta domínio do próprio medo, nas pessoas de um modo geral, e falta valentia no homem moderno.



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7.1.07



De volta à civilização!

Voltei! Como é bom sair de casa uns dias e sentir aquela falta da própria cama! Como é gostosa a volta, quando se tem para onde voltar! As feriazinhas da classemedinha foram boazinhas, voltei bronzeadinha... apesar do susto do furto na casa logo no primeiro dia, logo depois do primeiro banho de mar... a gente que pensava em descansar, achando que por ser litoral, aquela coisa nativa, não existe esse negócio de assaltos, levaram a parca grana, máquina digital, mp3, e constatei agora que se foi também meus tickes alimentação do mês. E no final, fui assaltada na farmácia, sim!, consegui ir parar no pronto socorro à 1 hora do último sábado. E olha que nem era por motivos alcoólicos, e agora vou passar à sopa por alguns dias. Fora as raladas por aprender boryboard, um sustinho por cair num buraco no mar (mas consegui sair rapidinho) que mais... ah! No meio do caminho tinha um... aniversário! Hehe O meu claro, saí com 2.7 e voltei com 2.8. Mal consegui degustar o bolo delicioso que a mãe improviou (segundo ela, e eu concordo, uma mãe que não consegue fazer um bolo para um fi0ho, não é mãe!). Deve existir alguma música brega com "voltei...", essa música que irei cantar amanhã quando reencontrar minha mesa de trabalho, os emails, as notícias, afinal estou alienada... Capaz! Estou com saudade até disso! Bem, bem, vou aproveitar as últimas horas que restam... para lavar toda a roupa suja acumulada. E era só.



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6.12.06



Agora Inês é morta.

No posts. Só para registrar que estou viva, hehe. Terminei de ler "Óbvio Ululante" (Nelson Rodrigues), que eu lia entre um livro e outro, e creio que perdi "A cabra vadia" (idem), se não me engano me esqueci num bolso da poltrona da Gol, lá atrás quando começou esse problema dos controladores de vôo. Dentro há cartões postais de Brasília e Caldas Novas. Voltei a ler "Os Santos que Abalaram o Mundo", agora com "São Francisco de Assis". Revezo com o "Livro Negro do Comunismo". Aprendi que a leitura é um prato que se degusta devagarzito a cada garfada. Mas confesso! Hoje li uma daquelas revistas de salão, era um artigo em que apresentava (com críticas) o "novo feminismo" (não contem comigo), o das mulheres do pancadão, e que em suma, hoje a salvação da alma tomou lugar da salvação do corpo. Isso não é grande novidade, novidade era o artigo estar numa dessas revistas femininas. Silêncio. Deu branco, não sei mais o que escrever. Não gostaria de falar dos assuntos exaustivos, como o apagão aéreo. Ah sim, vou conseguir tirar umas feriazinhas. E são feriazinhas mesmo já que a classe média aqui teve que ralar muito para conseguir esse diminutivo, e ainda ficar muito feliz. Nada que precise de avião. Agora Inês é morta. Foi uma frase que ouvi hoje, acerca de um problema. E eu que já havia ganhado logo de manhã dois problemas pensei que era mesmo isso. Calma classe média, calma! Respira fundo e comece tudo de novo. Deve ser isso a mansidão, respirar fundo, manter a razão, não baixar a cabeça e ainda por cima manter a classe. O duro é fazer isso com TPM. Era isso o tema da Novena de Natal ontem, não a TPM, a mansidão (esse ano parece que o livrinho da CNBB fala menos de pobreza, justiça social, ecologia, rsrs, mas não o li todo). A minha mãe que comanda a novena, é uma xerifa hehe, por acaso se chama Inez, e está bem viva, Graças a Deus. A Inês, a morta, foi o acontecimento que não deveria ter acontecido, ou ter, não daquele jeito. Mas (eu uso muito o mas, mas não mãs, sou gaúcha que não gosta do mãs) o ano foi melhor que o anterior, não por causa de governo nenhum, foi por méritos prórpios e com a Graça abundante de Deus. Isso não é uma despedida do ano, não, não, só uma constatação que a cada ano eu percebo que as coisas melhoram no geral, ou corrigindo, eu acho que cresço, nada fácil. Por exemplo esse negócio de mansidão, de saber esperar, puxa vida, acho que criei gastrite com o curso forçado. E isso não é o mesmo que se conformar ou se acomodar, não, não. Bem, não vou inexplicar o inexplicável. É algo "tipo assim", mais preocupação com a alma, mesmo debaixo de pancadas. Credo, isso está mais para texto de auto ajuda (deleto, não deleto...), não, não é auto ajuda por favor que não sou dessas coisas (tudo bem que o "mesmo debaixo de pancadas" ficou muito brega)! Acho que isso tudo é um Natal, renascer em Jesus Cristo e em si mesmo, sem ilusões vãs. Olha só que final mais clichê, não gostaria de acabar o texto assim, para quem não tinha o que escrever (e começou com um "no posts", agora não consegue parar. Então tá, acabo por aqui. Antes uma ressalva: não sou boa em títulos de textos, se deixar fico horas pensando e acabaria por escolher um espaço em branco. Ponto Final.



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Não consigo editar a template desse blog... hunf! Tá na hora de mudar de "hospedeiro".
Mas olha só minha logomarca lá no Contra a Ilusão! rsrsrs





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18.11.06



"Entre o que o outro me imagina e o que Deus fez, eu ainda prefiro o que Deus fez."

(Pe. Fábio de Melo)



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9.11.06



Paciência de Santa Tereza D´Ávila!

"A paciência tudo vence", disse a Santa.
Mas estou longe, bem mais longe! É isso. Eu que quando desejo algo, quero para ontem, sofro de ansiedade! Por mim o mundo teria sido feito em dois dias!
E por esses dias passo por provações de paciência, e olha que essa virtude nem peço! Eu já transcrevi aqui "Debaixo do céu há momento para tudo" (Mt, 5) . Há momento até para aprender a ter paciência. Na marra, com um tantinho de Santo Inácio, o Santo da força de vontade*.

*do livro Os Santos que Abalaram o Mundo, de René Fülöp Miller, que eu tirei da estante para voltar a ler.



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31.10.06



Em dois dias de "Lula de novo"...

Do blog do Reinaldo Azevedo

Petistas falam: "Vamos fechar todos os jornais"

Petistas que aguardavam Lula em frente ao Palácio da Alvorada agrediram os jornalistas que estavam à porta, fazendo o seu trabalho. Os manifestantes gritavam palavras de ordem contra a imprensa. Um dos democratas agrediu um repórter duas vezes com o mastro da bandeira do partido. Outra jornalista foi empurrada. "Eu prefiro a ditadura do que a imprensa" e "Vamos fechar todos os jornais", diziam entusiasmados. "Se falar de dossiê, vai levar dossiê na cara", ameaçava um outro. Ouvido, um representante da Fenaj - Federação Nacional dos Jornalistas - afirmou que isso acontece porque os jornalistas "provocam".

Mais no site da Veja.





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29.10.06



E agora José?

Pois é. Aconteceu o que se previa: a reeleição do Apedeuta. Meu voto foi de resistência. Agora vamos, os do contra, sentar e chorar lágrimas de sangue? Ou vamos desanimar e entregar os pontos? Claro que não. Tem que cobrar da mesma forma que se cobraria do outro candidato se fosse eleito. Tem que acompanhar. E é bom lembrar: a democracia não se resume às urnas (já que parece ser bem fácil enrolar as massas), mas as urnas fazem parte de um conjunto, cujo princípio é o respeito às leis. Aí é que o bicho pega não é mesmo Presidente? (que por sinal está com uma cara tensa apesar da vitória, do tipo "e agora José?", não é a mesma vitória esfuziante de 2002, ele sabe que o próximo mandato será complicado).
Eu quero ver justiça, eu quero ver reformas tributária e trabalhista (esta última como se sabe, muito impopular, mas necessária). Eu quero ver pessoas progredindo sim, mas todas progredindo! E não quero, mas não quero um Estado pai de todos.
E agora José? Agora vamos continuar a lida ora bolas. A gente que tem bolsa-nada - e eu particularmente não quero ter bolsa nenhuma, obrigada, mas eu prefiro a independência, financeira e de consciência (desculpe, rimou) -, como disse, não tem que desanimar, tem que acompanhar, e manter os princípios.
Agora vou pra minha lida.
Vou que meu amor me chama!



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25.10.06



Por mim.


Quando era ela

Quando desceu a noite
Ainda era dia naqueles olhos claros
Ela ainda pedia um pouco de jasmim
E deixar o cheiro com o pó das estrelas
Que dançavam na réstia da lua
Da luz da lua que banhava a viela.
Ela temia, como ela tremia!
Não cultivar flores na janela.
Quando viu que era dia
Desenhava no pó dos móveis
No suor da respiração no vidro
E dormia, como ela sorria!
Com a ponta dos dedos suja
Do pó, da terra das flores da janela.
Quando desceu a tardezinha
Uma última luz veio alva
Acordou seus olhos e as lágrimas
E todo o pó da sua alma!
Ela esperava a solidão noturna
Para dançar na réstia da lua rotunda
Embriagar com o cheiro doce das flores
E nas lágrimas salgadas, molhadas
Da garoa fina que cobria a viela.
Quando era noite era ela
A bailar a alma na solidão da janela!





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29.9.06



Ecle:3,1-11

Debaixo do céu há momento para tudo, e tempo certo para cada coisa:
Tempo para nascer e tempo para morrer. Tempo para plantar e tempo para arrancar a planta.
Tempo para matar e tempo para curar. Tempo para destruir e tempo para construir.
Tempo para chorar e tempo para rir. Tempo para gemer e tempo para bailar.
Tempo para atirar pedras e tempo para recolher pedras. Tempo para abraçar e tempo para se separar.
Tempo para procurar e tempo para perder. Tempo para guardar e tempo para jogar fora.
Tempo para rasgar e tempo para costurar. Tempo para calar e tempo para falar.
Tempo para amar e tempo para odiar. Tempo para a guerra e tempo para a paz.
Que proveito o trabalhador tira de sua fadiga?
Observei a tarefa que Deus entregou aos homens, para com ela se ocuparem:
tudo o que ele fez é apropriado para cada tempo. Também colocou o senso da eternidade no coração do homem, mas sem que o homem possa compreender a obra que Deus realiza do começo até o fim.


Em que tempo estamos? Em que tempo eu estou, meu Deus?



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27.9.06



A pedido daNariz Gelado:



Onda Azul por Um Brasil Decente
Data: 30 de setembro
Informe-se com as coordenações de campanha no seu estado para saber o local de concentração na sua cidade.
Para localizar as coordenações de campanha, clique aqui ou ligue para o 0800 722 00 45.





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Sono

Deu um sono o "Debate" dos candidatos a Governador do Paraná. A princípio todos evitavam perguntas ao Requião, a primeira pergunta dirigida a ele foi a última que sobrou no primeiro bloco. Os candidatos atacavam-no nas perguntas, réplicas e tréplicas dirigidas aos demais. Estratégia, claro. Requião também parecia uma moça, educado, comportado. Até os ataques eram chochos.
Osmar Dias (PDT) não convenceu, é daqueles que vai nadar, nadar e morrer na praia. E eu não conseguia desviar a observação daquele bigode, parece que tinha feito chapinha! Rubens Bueno (PPS) parecia um guri que esperneia e xinga (ele não xingou, isso é uma comparação) para chamar a atenção, e foi quase solenemente ignorado, apesar de apresentar algumas propostas. Luiz Felipe (PSOL), sem comentários Santo Deus! Só Melo Viana (PV) puxou uns assuntos importantes, mas que não dá voto. Ah, já ia esquecendo do Flávio Arns, esse sim causa bocejos instantaneamente.
Os calos e interrogações do Requião não surgiram: o aprochego com o MST, a soja transgênica, o Porto de Paranaguá, o uso da Paraná Educativa como propaganda socialista e governamental, a amizade com Chavez e a ... mas isso também não dá voto, talvez nem tire.

*

Um servidor público hoje no ônibus, disse que não quer nem saber do Requião de novo, que o Governador faz mais propaganda que realizações. Bem, a parte da propaganda a gente sabe bem...



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23.9.06



+ 1984...

Reinaldo Azevedo

Censura no Orkut?

Ao longo da madrugada, recebi dezenas de mensagens acusando que a comunidade "Fora Lula 2006", do Orkut, que teria mais de 170 mil membros, foi eliminada. Não tenho como verificar a esta hora. E também não pertenço ao Orkut. Espero que os pauteiros dos jornais se interessem por isso nesta manhã. Se aconteceu mesmo ¿ e não tenho por que duvidar dos "meus" jornalistas -, a coisa é grave. Até porque foram mantidas as páginas que cantam as glórias do Babalorixá de Banânia. Está havendo uma confusão séria no país entre liberdade de expressão e campanha eleitoral. A fúria legiferante da fatia do Judiciário que cuida de eleições está tornando os brasileiros menores de idade. Uma coisa é cometer um dos chamados crimes contra a honra ¿ calúnia, injúria e difamação (e existem leis para puni-los) -, outra, bem diferente, é impedir o exercício da crítica. Falar mal de político agora é algo que afete a dignidade humana? Com raras exceções, trata-se justamente do contrário: é uma forma de aperfeiçoá-la. E tem mais: se existe uma comunidade chamada "Fora Lula 2006" e se há ali manifestações passíveis de punição legal, que se individualizem as responsabilidades. Existe agora punição coletiva? Que história é essa? Bom, de qualquer modo, é tudo compatível com o quadro geral. O primeiro alvo de qualquer ditadura ou regime autoritário é sempre a liberdade de expressão. De novo, voltamos a 1984, de Orwell, já citado no post abaixo.



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